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Idosos devem contar com cuidado extra diante da epidemia do novo coronavírus

O poder de letalidade do novo coronavírus em idosos pode chegar a 15% a quem tem mais de 70 anos. Diante disso, o geriatra e cardiologista Marcelo Freitas, do Residencial Clube Leger, uma das mais importantes instituições de acolhimento de idosos do país, localizado em São Paulo, aponta uma necessidade de maior atenção com as pessoas dessa faixa etária. Segundo ele, a baixa imunidade, comum aos idosos, exige um trabalho preventivo ainda mais cuidadoso.

Por que os idosos formam o maior grupo de vítimas do novo coronavírus?

Dr. Marcelo - O coronavírus já conhecido há décadas, e causa em torno de 2% dos quadros similares a gripe no mundo inteiro, e também no Brasil. Esse novo coronavírus, é uma mutação que surgiu na China, e causa um quadro respiratório, gripal, mais agressivo. Naturalmente, os idosos são mais suscetíveis aos quadros infecciosos, virais ou bacterianos, por conta de sua decadência imunológica, e pela presença de doenças crônicas (DM, HAS, Artrites), especialmente após os 70 anos de idade. E, com esse novo coronavírus, não está sendo diferente, chegando à letalidade de até 15% nos maiores de 70 anos.

A que sinal de doença respiratória o idoso deve procurar atendimento médico?

Dr. Marcelo - Sempre sugerimos procurar uma unidade básica de saúde, aos quadros progressivos de febre, coriza, tosse, cansaço, falta de ar, mialgia e fraqueza. Mesmo sendo um quadro gripal mais simples, esses sintomas mais exagerados, com duração maior do que três dias, devem fazer procurar um pronto atendimento uma Unidade Básica de Saúde para realizar uma avaliação médica.

É comum que pessoas mais idosas apresentem pneumonia. Por que isso acontece e por que isso é perigoso?

Dr. Marcelo - Pneumonia é um quadro mais grave, pois acomete o pulmão. Pode ser de várias etiologias, sendo as mais comuns as bacterianas e virais. A incidência de pneumonias é maior no idoso por conta de sua imunidade estar em fase de decadência, ou seja, são mais suscetíveis a essas infecções também. A pneumonia é mais perigosa, pois, por comprometer o pulmão, pode levar a consequências mais severas, como insuficiência respiratória e até óbito. Sugere-se que os idosos, especialmente acima de 70 anos, recebe a vacina contra pneumonias bacterianas - Pneumovax.

Que cuidados extras com os idosos devem ser tomados agora?

Dr. Marcelo - Não só por conta do atual surto de coronavírus, mas devemos sempre adotar condutas de higienização de mãos, face, nariz e boca, pois, os vírus estão presentes nos chamados perdigotos (gotículas de saliva), e podem se depositar na boca, olhos, face, nariz e mãos. Também existem algumas substâncias que, notadamente, melhoram nossa imunidade, tais como Vitamina C, Vitamina D e Zinco. Não se trata de terapia, mas, melhoram o sistema imunológico, e nos deixam mais preparados para qualquer quadro infeccioso que possamos adquirir. Além disso, deve-se evitar a exposição dos idosos ao locais de aglomeração de pessoas, pois aumenta a chance de disseminação dos vírus..

Idosos com passagem marcada para algum país com grande número de casos deve cancelar a viagem?

Dr. Marcelo - Aqui, devemos utilizar o bom senso. Por exemplo, não sugeriria ninguém a viajar para China neste momento, pois, é o centro de onde surgiu esse novo vírus, e onde temos maior números de casos confirmados. Porém, para os outros países, não há nenhum contra indicação absoluta, mas, obviamente, se puder adiar viagens para esses locais, é mais prudente fazê-lo, até um outro momento em que estabilize o surto.

Por terem, em geral, a saúde mais frágil, os idosos já devem adotar o uso de máscara cirúrgica no dia a dia?

Dr. Marcelo - Por ora, não faz sentido, e não se indica uso de máscaras no dia a dia, pois, como vemos aqui no Brasil, até hoje há dois casos confirmados, em uma população de mais de 200 milhões de habitantes. Caso haja um aumento de casos, o uso de máscara se fará necessário.

Idosos que chegaram de viagem de algum país com grande número de infectados devem tomar algum cuidado especial?

Dr. Marcelo - Não só os idosos, mas todos que chegarem de países com muitos casos, devem se manter em monitoramento com relação aos sintomas como febre, falta de ar, tosse e coriza. Essa etapa deve durar pelo menos duas semanas, que é o período médio de incubação do vírus. As pessoas podem estar com o vírus, sem manifestação de sintomas. Evidentemente, os idosos tem que ficar mais atentos ainda a esses aspectos, e, aos primeiros sinais, procurarem avaliação de um médico.

 

 

 

 

 

 

A Comissão Municipal de Saúde de Xangai confirmou que uma paciente infectada com o coronavírus mortal, pela primeira vez desde o surto, foi curada e recebeu alta do hospital.

Após seis dias, a paciente, uma mulher de 56 anos, identificada apenas como Chen, demonstrou uma melhora significativa em seus sintomas respiratórios. Dois exames de sangue independentes para o coronavírus tiveram resultado negativo, assim como as tomografias pulmonares, de acordo com o jornal estatal Beijing Daily.

A paciente foi então liberada da quarentena, após a realização de um exame mais aprofundado por especialistas destacados para combater a doença.

Chen seria residente de Wuhan, onde o surto se originou, por muitos anos. Ela desenvolveu febre e fadiga no dia 10 de janeiro e foi hospitalizada em Xangai no dia 12 de janeiro.

Um número impressionante de 23 milhões de pessoas foi colocado em quarentena enquanto as autoridades chinesas tentam conter o surto que até agora já matou 26 pessoas e infectou pelo menos outras 800.

As autoridades locais de Wuhan estão tentando construir um hospital de tratamento especializado nos próximos 10 dias para abrigar todos os pacientes com coronavírus sob o mesmo teto, para limitar ainda mais a disseminação do vírus. O Banco de Desenvolvimento da China concedeu à cidade um empréstimo de emergência de dois bilhões de yuans (US$ 290 milhões) para ajudar no combate ao surto.

O Ministério da Saúde esclareceu dúvidas, nesta terça-feira (21), sobre o vírus que causou a morte de uma pessoa por febre hemorrágica, em São Paulo (SP). O último relato da doença no Brasil foi há mais de 20 anos. Nesse período, foram quatro casos em humanos, sendo três casos adquiridos em ambiente silvestre no Estado e um por infecção em ambiente laboratorial, no Pará (PA).

O diretor do Departamento de Vigilância das Doenças Transmissíveis do Ministério da Saúde, Júlio Croda, esclareceu dúvidas sobre o caso do paciente que faleceu no último dia 11, com os sintomas da doença. "Ele foi encaminhado para o Hospital das Clínicas com a suspeita de febre amarela, mas ao longo da sua evolução apresentou sintomas diferentes", explicou.
Histórico

Entre o início dos sintomas no dia 30 de dezembro de 2019, e o dia que o paciente veio a óbito, ele passou por três diferentes hospitais, nos municípios de Eldorado, Pariquera-Açu e São Paulo. Não houve histórico de viagem internacional.

Durante seu atendimento foram realizados exames para identificação de doenças, como febre amarela, hepatites virais, leptospirose, dengue e zika. Contudo, os resultados foram negativos para essas doenças. Foram realizados exames complementares que identificou o arenavírus, causador da febre hemorrágica brasileira.

O Ministério da Saúde informou que já comunicou o fato à Organização Mundial de Saúde e à Organização Pan-americana da Saúde (OMS/Opas), conforme protocolos internacionais estabelecidos.

Segundo Júlio Croda, a hipótese é que o paciente teve uma exposição ambiental à poeira da urina e das fezes de roedores silvestres que transmitem o arenavírus. "A recomendação do Ministério da Saúde, no momento, é limitada apenas aos moradores do estado de São Paulo. As pessoas não devem ser expor a ambientes onde existem muitos roedores selvagens para evitar o contato com o arenavírus", completa.
A doença

A doença é considerada extremamente rara e de alta letalidade, e o tratamento é de acordo com o quadro clínico e sintomas do paciente.

O período de incubação da doença é em média de 7 a 21 dias e se inicia com febre, mal-estar, dores musculares, manchas vermelhas no corpo, dor de garganta, no estômago e atrás dos olhos, dor de cabeça, tonturas, sensibilidade à luz, constipação e sangramento de mucosas, como boca e nariz. Com a evolução da doença pode haver comprometimento neurológico (sonolência, confusão mental, alteração de comportamento e convulsão).

A descoberta sobre o sistema imunológico que pode ajudar a combater todos os tipos de câncer
James Gallagher - @JamesTGallagher

 

Uma recente descoberta sobre o nosso sistema imunológico pode se tornar uma arma para tratar todos os tipos de câncer.

Uma equipe de cientistas da Universidade de Cardiff, no País de Gales, desenvolveu um método em laboratório que destrói o câncer de próstata, mama, pulmão e outros tipos.

Os achados, divulgados na publicação científica Nature Immunology, ainda não foram testados em pacientes, mas têm um "enorme potencial", afirmam os pesquisadores.

As novidades que têm revolucionado a luta contra o câncer

Para especialistas que não participaram da pesquisa, ainda que o trabalho esteja num estágio inicial, ele é bastante promissor.
O que eles descobriram?

Nosso sistema imunológico é a defesa natural do corpo contra infecções, mas ele também ataca células cancerosas.

A equipe da Universidade de Cardiff estava em busca de maneiras novas e "não convencionais" de fazer com que o sistema imunológico atacasse naturalmente tumores.

Eles encontraram uma célula-T (ou linfócito T) com um novo tipo de "receptor" que identifica e ataca células cancerosas, ignorando as saudáveis.

A diferença nesta célula imunológica é que ela pode escanear o corpo em busca de ameaças que devem ser eliminadas e atacar uma ampla variedade de cânceres.

"Há uma possibilidade de que ele possa tratar todos os pacientes", afirmou o professor Andrew Sewell à BBC. "Antes ninguém acreditava que isso fosse possível."
Como ela funciona?

As células T têm "receptores" na superfície que permitem a elas "enxergar" em um nível químico.

Os pesquisadores da Universidade de Cardiff descobriram que a célula T e seu receptor podem encontrar e destruir uma gama de células cancerosas no pulmão, na pele, no sangue, no cólon, na mama, nos ossos, na próstata, no ovário, no rim e na coluna cervical.

O modo exato como que isso acontece ainda está sendo pesquisado.

Esse receptor da célula T em particular interage com uma molécula chamada MR1, presente na superfície de todas as células do corpo humano.

Acredita-se que a MR1 seja a responsável por sinalizar ao sistema imunológico o metabolismo disfuncional em curso dentro de uma célula cancerosa.

"Somos os primeiros a descrever a célula T que encontra o MR1 nas células cancerosas — isso não tinha sido feito antes, foi a primeira vez", disse à BBC o pesquisador Garry Dolton.
Por que essa descoberta é relevante?

Terapias com células T já existem e o desenvolvimento de imunoterapias contra o câncer tem sido um dos avanços mais empolgantes nesse campo.

O mais famoso exemplo é o chamado CAR-T, uma droga viva produzida por meio de engenharia genética em células T para procurarem e destruírem o câncer.

O CAR-T pode trazer resultados incríveis que levam alguns pacientes do estágio de doença terminal para a completa remissão.

Essa abordagem é, no entanto, extremamente específica e funciona com apenas um número limitado de cânceres onde há um alvo claro para treinar a "mira" das células T.

 

E também enfrenta dificuldades em combater "cânceres sólidos" — aqueles que formam tumores em vez de sangue canceroso como a leucemia.

Já os pesquisadores da Universidade de Cardiff afirmam que o receptor da célula T pode levar a um tratamento de câncer "universal".
Mas como isso funciona na prática?

A ideia é extrair uma amostra de sangue do paciente em tratamento contra o câncer.

As células T seriam extraídas e modificadas geneticamente a fim de reprogramá-las para constituir o receptor que encontra o câncer.

Essas células aperfeiçoadas seriam cultivadas em largas quantidades em laboratório e depois reinseridas no paciente. É o mesmo processo usado na terapia CAR-T.

No entanto, essa pesquisa da Universidade de Cardiff foi testada apenas em animais e células em laboratório, e testes em humanos demandam mais etapas de segurança.
O que dizem outros especialistas?

Lucia Mori e Gennaro De Libero, da Universidade de Basileia, na Suíça, afirmam que essa pesquisa tem um "enorme potencial", mas ainda é cedo para afirmar que ela poderia funcionar para todos os tipos de câncer.

"Estamos muito empolgados com as funções imunológicas dessa nova população de células T e o uso potencial do receptor na terapia de células tumorais", dizem.

Daniel Davis, professor de imunologia da Universidade de Manchester, na Inglaterra, afirmou que "por ora, ainda é uma pesquisa em estágio bastante inicial e nem perto de se tornar um tratamento real para pacientes".

"Mas não há dúvidas de que é uma descoberta bastante empolgante, tanto para o avanço do nosso conhecimento sobre o sistema imunológico quanto para o desenvolvimento de novos tratamentos."

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