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Ter, Jul
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Quando se faz uso de uma máquina potente como o carro, o condutor projeta nele a sua ansiedade, sua agressividade, sua insegurança ou os seus excessos e faltas se tornando um só.’
Morrem 40.000 pessoas de acidente de trânsito por ano no Brasil.
A equipe do Jornal da Canastra convidou a psicóloga Lana Luisa Lasmar para falar à respeito da história da Psicologia do Trânsito !
Eis a entrevista

JCanastra - por favor fale-nos sobre o seu Currículo :
Lana Luisa Lasmar- Sou psicóloga pós-graduada no trânsito, mas também pós-graduada em psicologia da saúde e saúde mental. Capacitação em Saúde Pública e Pericia Judicial. Longa experiência em Psicologia empresarial na área de recursos humanos


JCanastra - Conte-nos um pouco sobre a História da Psicologia do Trânsito no Brasil e da importância dessa área da Psicologia.
Lana Luiza Lasmar - É uma área que investiga comportamentos humanos no trânsito (conscientes e inconscientes), o que os altera e o que os provoca através da avaliação psicológica e cognitiva que é realizada nas clínicas vinculadas ao DETRAN (Departamento de trânsito) em condutores e em futuros motoristas. Ela surgiu há quase um século. Na década de 30 se iniciou a utilização dos primeiros instrumentos de testagens psicológicas e cognitivas de seleção e orientação profissional dos futuros profissionais das ferrovias, dos bondes, dos veículos de cargas.


JCanastra Sua área de atuação se restringe somente em clínicas?
Lana: Não. O psicólogo do trânsito também desenvolve outras ações que promovam a segurança no trânsito. Através de projetos sociais vinculados a prefeituras, escolas (educação para o trânsito) e pesquisas. Tudo voltado para a prevenção e humanização do trânsito, ressaltando o papel fundamental da sociedade despertar para a importância do bom comportamento no trânsito.


JCanastra -Você foi secretária de saúde do nosso município (2005/2008), fez um ótimo trabalho de prevenção em saúde, com reconhecimento e premiação Estadual com o Projeto “Move-se Bambuí”, executado por fisioterapeutas e que por muitos anos se destacou. No trânsito é possível atuar preventivamente?
Lana: Sim. A Psicologia do Trânsito através da avaliação psicológica dos candidatos a CNH e dos condutores já habilitados (profissionais do trânsito), usando ferramentas especificas (testes psicológicos, testes cognitivos, entrevista psicológica) e outras considerações importantes como o histórico do condutor, consegue-se identificar as condições, o perfil e seus traços favoráveis ou não para essa função. No fechamento da avaliação é feito uma entrevista devolutiva,com ponderações, reflexões a respeito da escolha e das adversidades presentes no cotidiano do trânsito. Como também da importância de saber lidar com elas.


JCanastra A avaliação é uma etapa que gera tensão.?
Lana: A avaliação compulsória está presente na nossa vida em vários outros momentos: para um porte de arma, processos de adoção, concursos públicos, aviação, forças armadas e outros. É necessário avaliar características “fundamentais” para embasar uma escolha, uma tomada de decisão, aptidões específicas para uma função e também na direção de veículos automotores. É uma avaliação tranqüila que em muitos casos orientamos, direcionamos, ajudando o candidato naquilo que ele precisa para obter ou não (caso de inabilidade) o documento. Outro aspecto observado é que muitas vezes, é a primeira vez que o jovem tem um contato com um psicólogo e que se torna extremamente benéfico para as suas demandas momentâneas.


JCanastra Quanto ao trabalho do medico do transito?
Lana A medicina se juntou a Avaliação Psicológica nos anos 60. Passou a avaliar também as condições de saúde do condutor, saúde mental e outras condições como um todo. São dois exames de extrema importância, que se complementam na avaliação.
No momento, se questiona a eficácia do trabalho do médico e do psicólogo do trânsito nas clinicas credenciadas e até mesmo um aumento de credenciamentos. Como você vê essa questão?
Lana: Então, se aumenta o número de clínicas não significa que vai existir melhoras nos serviços ou ganhos para os usuários. Perde-se o meio de controle dos serviços prestados e os maus profissionais que já não cumprem as determinações (portarias e decretos), continuarão a não cumprir e podendo até piorar a qualidade dos serviços. Hoje o DETRAN não tem potencial humano/técnico para sair realizando fiscalizações pelos municípios do interior, mas tem um disque denuncia disponível para a população.


JCanastra E qual a sua sugestão?
Lana: Controle social é uma delas! Através de conselhos, órgãos colegiados, que funcionam com representantes do estado e municípios na área da saúde publicam pode se copiar parte do modelo e se adaptar as clinicam de transito. E só ter vontade política e não ficar desqualificando e sim aperfeiçoando. Atualmente, embora não aja a fiscalização em todos os municípios, se o DETRAN, através do controle de clinicas, recebe alguma denúncia através do telefone 181, imediatamente é feito uma verificação, podendo até ocorrer o descredenciamento da clínica ou do profissional e com isto reforça-se que está na mão do usuário de qualquer serviço ou sistema publico, lutar pela qualidade prestada à sociedade.
Não se tira nenhuma forma de intervenção, sem antes colocar outra melhor: como excluir o trabalho das clinicas na prevenção, sem antes substituir por um trabalho efetivo de educação e promoção da vida no trânsito, nas escolas, na educação da sociedade como um todo,finaliza Lana Lasmar .

 

Festival de Dança de Bambuí