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Qui, Jan
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Era dia 23 de dezembro e recebi pelo celular a notícia: “Voluntários vão passar noite de Natal online com quem está sozinho”. Cliquei sem pensar duas vezes e senti que era com aquelas pessoas que eu passaria meu Natal.

No apartamento havia somente eu e minha esposa, minha filha foi passar o Natal com os avós em Bambuí-MG. Logo eu, apaixonado pelas comemorações, iria passar em casa, longe de todo mundo, principalmente da minha família.

A primeira frase da notícia era “O Natal deve ser solidário, não solitário”. E é isso que fez o encontro especial na quinta-feira, dia 24 de dezembro, pela internet. Eu e minha esposa fomos voluntários, e também fui paciente, nos fizemos companhia para pessoas que estavam sozinhas, assim como nós, em casa.

A ideia era incrível, e necessária: espantar a solidão, a melancolia e a depressão de quem não teria condições de ficar com a família, neste Natal atípico provocado pela Covid-19. Na vídeo chamada, conheci Renata, a autora da ideia, que compartilhou em uma entrevista:

“Várias famílias vão se reunir online, não é? Então pensei em fazer o mesmo, só que, ao invés de me reunir com minha família, vou confraternizar numa grande roda de conversa com quem estiver sozinho neste Natal. Vamos doar nossa noite, nosso tempo, oferecendo companhia e uma boa conversa entre todos os participantes”, ela não sabia que, ao clicarmos botões, viraríamos família. Como mágica, trocamos ideias e experiências de quem já conversava uma vida toda.

Na noite, comi pizza e tomei vinho, entramos madrugada a dentro contando nossos sonhos, nossas queixas, nossas reflexões, encontramos pessoas que se doavam totalmente ao pais já  idosos, outras que perderam pessoas queridas, pessoas com filhos, sem filhos, de cabelos azuis ou longos. Gente, muita gente, que vibrava numa mesma sintonia, a do AMOR.

Ali, encontrei paz. Ali, encontrei o Cristo vivo. Não foi preciso me mover até Ele, Ele veio até mim pelo sorriso e pela história de tantas pessoas. Foi incrível. Mágico. Transcendeu. Foi um milagre, o milagre do amor.

Hoje temos um grupo, queremos nos ver todos os meses, pessoas de todos os Estados, de todos os sorrisos, de todas as cores, de todo coração. Pessoas que querem um mundo melhor, mais humano, mais colorido, vivo.

Começo o ano assim, cheio de esperança. Que venha 2021! Que venha a vacina! Que venha mais e mais Amor!

                                                    Giordânio Lasmar - @giolasmar
“Publicitário e comunicador nato. Ama arte, moda e blogar,
idealmente tudo ao mesmo tempo.

Festival de Dança de Bambuí