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 31 de Outubro - Dia Nacional da Poesia

"Sarau de Poesias" em Homenagem aos poetas bambuienses

“Vamos lembrar a riqueza e importância cultural que a arte poética representa em nossas vidas!”


O Dia Nacional da Poesia é comemorado oficialmente, em 31 de outubro, aniversário de Carlos Drumond de Andrade.
Esta data foi oficializado através da Lei nº 13.131, de 3 de junho de 2015.

 

  Carlos  Drumond de Andrade

 

José

E agora, José?
A festa acabou,
a luz apagou,
o povo sumiu,
a noite esfriou,
e agora, José?
e agora, você?
você que é sem nome,
 que zomba dos  outros 

você que faz versos,
que ama, protesta?
e agora, José?

 

Está sem mulher,
está sem discurso,
está sem carinho,
já não pode beber,
já não pode fumar,
cuspir já não pode,
a noite esfriou,
o dia não veio,
o bonde não veio,
o riso não veio,
não veio a utopia
e tudo acabou
e tudo fugiu
e tudo mofou,
e agora, José?

 

E agora, José?
Sua doce palavra,
seu instante de febre,
sua gula e jejum,
sua biblioteca,
sua lavra de ouro,
seu terno de vidro,
sua incoerência,
seu ódio — e agora?

Com a chave na mão
quer abrir a porta,
não existe porta;
quer morrer no mar,
mas o mar secou;
quer ir para Minas,
Minas não há mais.
José, e agora?

 

Se você gritasse,
se você gemesse,
se você tocasse
a valsa vienense,
se você dormisse,
se você cansasse,
se você morresse…
Mas você não morre,
você é duro, José!

 

Sozinho no escuro
qual bicho-do-mato,
sem teogonia,
sem parede nua
para se encostar,
sem cavalo preto
que fuja a galope,
você marcha, José!
José, para onde?

********
                                                                                                                                                                                                                                      

Redemoinho

Rodrigo Francisco  Dias

 

De um lugar para outro
Sempre fui levado
Por um redemoinho
Tantas mudanças
Tantas coisas
E eu sendo arrastado
Pelo vento e pela vida.

A vida
Tantas andanças
Tantas pessoas
Umas chegaram e ficaram
Outras apenas passaram
E algumas das que se foram
De algum modo permanecem.

E eu sempre no meio
Do redemoinho
Este redemoinho da vida
Que me joga para cima
E para baixo
Que me prende,
Mas também me faz voar.

No meio do redemoinho
Quando sinto um desespero
Uma profunda solidão
Lembro-me que o redemoinho
É a própria vida
E vou aprendendo com o vento
A leveza e a liberdade.

**********(

 

                                                                           Declaração de amor 

Rut Evaristo de Sousa Elias

 

Eu sou o universo
Sou o amor, Estrela maior.
Tive um sonho lindo
E criei você
Sou...
A sua vida e a sua luz.
Sou...
O seu caminho e estou sempre
Contigo ao seu dispor.
Sou...
A alegria a felicidade,
Pois foste criado
Com muito amor
Sou...
O ombro amigo, seu amparo,
Na sua dor.
Sou...
A verdade sem vaidade
A tua estrela guia
Que te conduz,
Pois és meu tesouro
De grande valor.
Sou...
Tudo pra você!
E você és todo meu.
Por nada te perderei,
Pois Eu te criei...
És minha grande obra,
Minha criatura...
Meu grande amor,
Minha grande alegria.
SOU EU...
SUPREMO EM TI...
O TEU DEUS!

*******

 

Te Quero

Jamil Domingos da Silva

 

Queria estar perto de ti
Para te dizer o quanto te quero!
Mas, o que eu queria mesmo
Era estar do teu lado
Para te dizer o quanto te quero!

Mas o que mais quero
É estar do teu lado
Ou dizer que te quero?

Estar do teu lado
E não dizer que te quero
É algo impossível de acontecer.
Já dizer “eu te quero”
Sem te ter do meu lado
Para me acolher em teus braços
É algo que não tem jeito
Mas dói muito em meu peito.

Você nem imagina
Mas te venero
Em cada lágrima que cai

 

Saudades


Nancy Gonçalves Dias

 

Oh! Que saudades eu sinto
dos belos momentos que vivi,
dos lugares mais lindos
que ao teu lado conheci!

Òh!  Que saudades eu sinto
do néctar de teus beijos,
dos teus olhos cristalinos
A brilhar na noite de luar!

A tua lembrança
faz-se presente,
a tua voz tento ouvir
e tuas palavras recordar.

Tento encontrá-lo
está tão distante!
Tento ouví - lo

mas, não te escuto,
procuro os teus lábios
e não te sinto!

Como a saudade é dorida!
Invade minha existência,
acelera meus pensamentos
desejando-te ao meu lado!

Oh! Saudades
não me maltrates assim!
Sei que ainda o amo,
o meu amor é tudo e nada mais!

*******

Voz Profunda

Teófilo Magalhães

 


Eu amo o triste que já foi contente,
amo o contente que também foi triste...
Amo a alegria que delira como gente,
amo a tristeza que ninguém resiste.

Amo o fraco, o covarde e o que é valente,
amo o sorriso e a dor que já sentiste,
Amo o rico e o pobre que ainda insiste
em mudar o pranto em riscos somente

Amo a criança, enfim
eu amo tudo, a donzela num leito de veludo
ou a mulher que dorme ao relento...

É que não pode haver um céu bendito,
enquanto houver um mundo

******

Postulado

Sérgio Bernardes Carvalho

 

De um vulto merencório ao breu do inferno,
Fadário transitório das esferas,
Me vi vagando ao lume de outras eras,
Trilhando as sendas fúnebres do averno.

Eu, íncola das fragas e crateras,
Jamais me vi na luz do amor paterno,
Sangrando em mágoas vivas, tal falerno,
Num mundo de demônios e de feras.

Depois do breu vulnífico das vidas,
Deli-me em lepras vastas e feridas,
Sacrário algoz de angustia e tantos ais...

De filho da monera e protoplasmas,
Ao frágil gás que exala dos miasmas;
E que se torna bruma e nada mais...

 

 

 

 

Festival de Dança de Bambuí