Ferramentas

Cota atingida no dia 24 de março não era vista há 3 anos e meio.

 

No relatório divulgado pelo operador nacional de sistema elétrico, o nível do reservatório do Lago de Furnas aparece com volume útil de 57,62% e com nível de 762,29 metros, cota que ultrapassou os 750 metros estabelecidos pela Agência Nacional das Águas – ANA.

A cota 762 trouxe alívio para moradores, empresários e autoridades, já que, mesmo com alto índice de chuvas do início do ano, estavam sendo levantadas suspeitas de que a água da represa estava sendo desviada para outros fins. A desconfiança foi confirmada quando em um documento, enviado por Furnas, ao Senado, o órgão afirmava que a água do lado, além de abastecer outras 11 usinas, estava sendo desviada para a Bacia Paraná/Tietê.

“Eu espero muito que Furnas, que o operador nacional de sistemas e as autoridades de uma maneira geral tenham a compreensão de se manter o nível dessa água e nós vamos continuar cobrando, continuar trabalhando para que essa realidade possa persistir”, afirmou o senador Rodrigo Pacheco.

“Precisamos continuar vigilantes, já que se trata de uma cota que a qualquer momento, se abrirem a represa e os vertedouros , consequentemente as águas do Mar de Minas diminuirão”, disse o deputado Professor Cleiton Oliveira.

O prefeito de Boa Esperança e atual presidente da Associação dos Municípios do Lago de Furnas – Alago, Hideraldo Henrique, “nós queremos muito mais, para que no tempo da seca possamos usufruir do nosso Lago de Furnas, de maneira sustentável”, disse.

“Nós recebemos essa notícia com muita alegria, pois é o mínimo que nós tínhamos que fazer, ou seja, deixar uma cota mínima para que dê segurança aos investidores, para que eles possam retomar seus investimentos e para que os municípios possam retomar suas atividades da gastronomia, da hotelaria. Nós esperamos que isso seja mantido. Precisamos que ainda seja preservado esse volume e que ele suba mais, pois assim toda região fomenta suas economias. Queremos ressaltar ainda que continuaremos vigilantes e lutando sempre pelo lago, um dos maiores patrimônios do povo mineiro”, disse o vereador de Varginha, Leonardo Ciacci, que vem trabalhando em defesa da cota mínima.

 

 

Dificuldades

 

O Lago de Furnas abrange 34 cidades mineiras numa extensão de 1.406 quilômetros quadrados, sendo um dos maiores lagos artificiais do mundo – a orla do lago tem 3.500 quilômetros de perímetro e é quatro vezes maior que a Baía de Guanabara. Mas, nos últimos anos, o que era para ser um mar de água doce hoje, infelizmente, se tornou um cenário de abandono e de pouco caso por parte do Poder Público Federal. Hotéis, pousadas, ranchos e outros empreendimentos turísticos e náuticos sucumbiram diante do baixo volume de água do lago e houve queda no número de visitantes.

 

Mais de 300 empreendimentos foram construídos às margens do Lago de Furnas desde a sua criação. Na época, foi necessário inundar uma grande quantidade de terras, o que forçou a retirada de 35 mil pessoas das regiões que ficaram inundadas.

Fonte: Correio do Sul