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Ter, Set
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Em 1920, um jovem esguio, simpático, corpo de atleta chegava em Tapiraí, uma pequena cidade do interior de MG. Fugindo de um noivado que não quisera assumir, aportou-se nesta pequena cidade onde já morava o seu irmão mais velho. Trabalhava com empilhamento de sacos do açúcar em caminhão. Ali, naquela pequena cidade conheceu uma linda jovem de nome Dorcelina e com ela se casou apressadamente, para livrar-se do compromisso de um noivado que ficara para trás, ao deixar sua cidade natal.
Logo vieram os filhos, como dizia minha mãe: -“uma escadinha de filhos!” Tiveram dez filhos.
Após alguns anos, e com a família criada, voltou-se para sua terra: São João Del Rey a procura de novas oportunidades de educação e melhoria de qualidade para a sua numerosa família. Já bem instalado conseguiu colocar seus quatro filhos, em um colégio Salesiano. Suas duas filhas, as mais velhas conseguiram aprender uma profissão que as sustentariam para o resto da vida! Alguns anos depois, sua filha, a mais velha casou-se com um jovem de Bambuí. Zozó, um pai extremoso, saudosista não quis ficar longe da filha e voltou para Bambuí, onde comprou a casa na Rua Dr. Dilermando. Alugou um cômodo, hoje, à rua Vigário Protázio, Cerrado onde colocou uma pequena mercearia. Negociou-se alguns anos neste local, até receber um convite do sr Geraldinho Cardoso para abrir uma mercearia, no Alto da Serra, onde havia muito movimento devido a cultura de café, ali existente”Depois de alguns anos retornou a Bambuí, onde adquiriu uma casa, com um cômodo para negócio e ali abriu uma mercearia à Rua Ezequiel Dias, esquina com Av Emanuel Dias. Negociou-se alí até aposentar-se. Infelizmente não conseguiu desfrutar-se de sua aposentadoria, e viera a falecer, vítima de um coágulo no pulmão.
Joaquim Antônio Gonçalves, conhecido pelo apelido carinhoso de Zozó, um pai carinhoso, trabalhador e muito honesto educou seus nove filhos: cinco mulheres e quatro homens com muito rigor, onde não aceitava nenhum deslize por parte se seus filhos. Graças à Deus todos foram bem educados, conseguiram também com seus esforços ser alguém na vida! Zozó, morreu aos 62 anos de idade , em 1986, deixando um legado de exemplos de honestidade e generosidade!
Neste momento, uma cena vem a tona lembrando- me o seu amor e generosidade pelos animais, naquela época:
Subia à Av Emanuel Dias, uma avenida muito íngreme, uma carroça de burro com uma carga bastante pesada, a ponto do burro subir a avenida com muita dificuldade e cair. O carroceiro batia muito no animal para ele levantar. Meu pai vendo aquela imagem de judiação com o animal, enfrentou o carroceiro, tomando dele a estaca com que batia no animal. O carroceiro de medo, simplesmente obedeceu-o, sem bater mais no animal, conseguiu levantá-lo com a ajuda de meu pai. Esta história repercutiu durante muito tempo entre a vizinhança, de um homem generoso que brigou por causa de uma animal!
Assim era meu pai, um homem caridoso e amado pela sua generosidade para com todos e com os animais!
Foi-se embora deste mundo, há trinta e dois anos! Parece muito, mas para mim, parece que foi ontem! Os anos se passaram, e a dor foi substituída por uma memória doce. A amarga saudade foi ficando cada vez mais sublime, mas a presença dele paira eternamente sobre mim! Há boas lembranças, há pequenos gestos, frases, pessoas, fatos, imagens, que me levam até ele!Todos os dias vivo estes regressos inesperados.
Revejo-o sempre em minha memória pesando mercadorias e com a manga da camisa arregaçada.
Neste domingo - Dia dos Pais, uma homenagem “in memóriam" ” especial ao meu querido e extremado Pai!
Que Deus o tenha em seus braços!
Que ele descanse em paz onde estiver!

No Dia dos Pais, o nosso carinho, amizade a todos os Pais bambuienses!
Que Sant´Ana abençoe a todos!

Festival de Dança de Bambuí